Compaixão

Compaixão

compaixão
Uma das melhores definições que eu li sobre o que é compaixão veio de Joseph Goldstein em seu livro “Insight Meditation” (não sei o nome em português). Ele escreveu que a compaixão é “um tipo de amor que vê o sofrimento dos seres e deseja que eles se libertem deste sentimento… É uma forte sensação de querer aliviar a dor e o sofrimento” (tradução livre).

Confesso que sempre associava compaixão com ações de caridade e doação. Para mim compaixão era dar dinheiro para um mendigo, ajudar uma instituição de caridade, doar alimentos e até simplesmente ter pena de uma pessoa em dificuldades.

Hoje, eu entendo que compaixão é maior do que somente caridade e doação. É algo cujo o maior desafio é praticar nos nossos relacionamentos diários, em situações que aparentemente não há sofrimento e com as pessoas que mais amamos e das quais mais esperamos coisas.

O primeiro passo para praticarmos a compaixão é termos consciência do sofrimento das pessoas. E a maioria dos sofrimentos, apesar de não serem tão profundos, vêm de situações comuns. Pode ser não conseguir se expressar com clareza, não ter tempo para fazer algo trivial, ter dificuldades em entender uma tarefa fácil, etc.

E geralmente, quando uma pessoa próxima passa por alguma situação dessa, ao invés de termos compaixão por ela, nós a cobramos, julgamos, nos decepcionamos e ficamos irritados. É mais fácil identificarmos o sofrimento em grandes eventos, tais como passar fome, não ter dinheiro e ser abandonado, do que nas pequenas coisas do dia a dia.

Prática da Compaixão

Tendo esta consciência, cabe a nós exercitamos a nossa atenção para que, quando estivermos em uma situação em que identificamos o sofrimento da outra pessoa, possamos aceitar e entender os sentimentos da outra pessoa e desejarmos que ela seja libertada de sua dor e sofrimento, sem julgamento e raiva. Se for o caso, podemos tomar alguma ação concreta para ajudar na liberação do sofrimento.

No começo desta prática, podemos parecer que estamos forçando uma situação e um estado emocional, que não sentimos efetivamente a compaixão em nossos corações. Mas com tempo e dedicação, este sentimento começa a brotar em nós e passamos a sentir a compaixão automaticamente. Vale a pena persistir nesta prática.

Mas qual o benefício da compaixão? Segundo Thupten Jinpa (o tradutor de inglês do Dalai Lama), “Compaixão é do seu próprio interesse… Se você for capaz de trazer compaixão para sua vida, você se beneficia porque você fica mais feliz.”. Ela é algo que, se realmente estivermos nesta vibração, ajuda no dia a dia dos nossos relacionamentos, tratamos melhor as pessoas e a nós mesmos, nos levando a uma vida mais leve, alegre e completa. Quando eu sinto plenamente a compaixão dentro mim, parece um estado de felicidade pura, de êxtase.

Gratidão!

André Fukunaga

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